A segunda é uma alteração estrutural da pele.
E é justamente por isso que muita gente se frustra ao comprar cremes, séruns e ácidos esperando que eles “preencham” um buraco no rosto.
Mas será que é possível tratar essas cicatrizes?
Sim.
Só que, quando a cicatriz é realmente profunda, o tratamento geralmente vai muito além de um cosmético.
O que é uma cicatriz profunda de acne?
Durante uma acne intensa, a inflamação pode atingir estruturas mais profundas da pele.
Quando o processo de cicatrização acontece, pode haver perda ou reorganização do colágeno e de outros componentes da pele.
O resultado pode ser uma depressão permanente.
Essas cicatrizes são chamadas de cicatrizes atróficas.
Elas são divididas principalmente em:
- ice pick: pequenas e profundas, parecendo pequenos furos;
- boxcar: depressões mais largas e com bordas relativamente definidas;
- rolling: depressões mais largas e onduladas, que dão à pele uma aparência irregular.
Essa classificação importa porque diferentes tipos de cicatriz podem responder de maneira diferente aos tratamentos.
Um creme consegue preencher uma cicatriz profunda?
Na maioria das vezes, não.
Um cosmético pode melhorar hidratação, textura e aparência superficial da pele.
Mas uma cicatriz atrófica profunda representa uma alteração estrutural.
Por isso, passar um creme sobre ela não é equivalente a reconstruir o tecido que foi perdido.
É por isso que os tratamentos mais utilizados para cicatrizes atróficas envolvem procedimentos capazes de estimular remodelação do colágeno ou modificar fisicamente a estrutura da cicatriz.
Microagulhamento
O microagulhamento utiliza pequenas agulhas para produzir microperfurações controladas na pele.
A ideia é estimular uma resposta de reparação e remodelação do tecido.
Ele é utilizado para diferentes tipos de cicatriz de acne e apresenta evidências clínicas de benefício.
Uma meta-análise publicada em 2024 avaliou estudos randomizados sobre microagulhamento isolado e combinado com outros tratamentos para cicatrizes de acne.
Isso não significa que uma sessão vá “apagar” as cicatrizes.
Normalmente são necessários tratamentos repetidos e os resultados aparecem gradualmente.
Laser fracionado
O laser fracionado é outra opção bastante estudada.
Ele cria áreas microscópicas de tratamento na pele, estimulando um processo de remodelação.
Uma revisão publicada em 2024 comparou o laser de CO₂ e o microagulhamento e descreveu ambos como opções utilizadas para remodelar cicatrizes atróficas.
Mais recentemente, uma meta-análise comparando laser fracionado de CO₂ e Er:YAG também mostrou que ambas as tecnologias podem melhorar cicatrizes atróficas, embora existam diferenças entre eficácia e efeitos adversos.
Subcisão
A subcisão é particularmente interessante para algumas cicatrizes deprimidas.
Nesse procedimento, uma agulha ou cânula é introduzida sob a cicatriz para romper bandas fibrosas que estão “puxando” a pele para baixo.
Uma revisão de ensaios clínicos publicada em 2022 encontrou resultados favoráveis para a subcisão, principalmente quando utilizada em combinação com outras técnicas.
Mas novamente: não é um procedimento para fazer em casa.
É uma técnica médica que precisa de avaliação, indicação e execução adequadas.
E preenchimento?
Algumas cicatrizes podem ser tratadas com preenchimentos, principalmente quando existe uma depressão que pode responder à elevação do tecido.
O ácido hialurônico, por exemplo, é utilizado em determinados casos.
Entretanto, nem toda cicatriz é adequada para preenchimento.
A escolha depende do tipo, profundidade e localização da cicatriz.
Combinar tratamentos funciona melhor?
Em muitos casos, pode.
Uma revisão de 2024 sobre cicatrizes atróficas destacou que existem diversas modalidades disponíveis e que combinações podem proporcionar resultados melhores do que uma única técnica em determinadas situações.
Uma meta-análise de 2022, por exemplo, avaliou laser de CO₂ fracionado associado ao plasma rico em plaquetas e encontrou melhora clínica e satisfação maiores em comparação com o laser isoladamente nos estudos analisados.
Isso não significa que “combinar tudo” seja sempre melhor.
A combinação precisa fazer sentido para o tipo de cicatriz e para a pele da pessoa.
Dá para deixar a pele 100% lisa?
É melhor desconfiar de promessas desse tipo.
O objetivo realista do tratamento é melhorar a aparência e a textura das cicatrizes, não necessariamente apagar completamente qualquer sinal de acne.
Os estudos mostram melhora, mas os resultados variam bastante entre pessoas e entre os tipos de cicatriz.
Além disso, procedimentos podem causar efeitos adversos, incluindo alterações de pigmentação.
Isso merece atenção especial em pessoas com maior tendência à hiperpigmentação.
E os produtos caseiros?
Não tente reproduzir procedimentos dermatológicos em casa.
Dermarollers, ácidos em concentrações inadequadas e outras técnicas vendidas na internet podem causar queimaduras, infecções e piora da pigmentação.
Uma coisa é usar um cosmético formulado para aplicação doméstica.
Outra é tentar realizar um procedimento que provoca uma lesão controlada na pele.
Primeiro trate a acne
Existe outro ponto importante: não adianta tratar cicatrizes enquanto a acne continua formando novas lesões.
Controlar a acne é uma das melhores formas de evitar novas cicatrizes.
E quanto mais intensa for a inflamação, maior pode ser o risco de deixar alterações permanentes.
Afinal, qual é o melhor tratamento?
Não existe um único procedimento adequado para todas as cicatrizes.
O tratamento depende principalmente do tipo de cicatriz:
Icepick: pode exigir técnicas específicas, incluindo procedimentos direcionados à cicatriz individual.
Boxcar: pode responder a técnicas como laser, microagulhamento, preenchimento ou combinações.
Rolling: pode ser particularmente influenciada por bandas fibrosas e, em alguns casos, responder à subcisão.
Essa é uma das razões pelas quais a avaliação dermatológica é tão importante.
Resumindo
Cicatrizes profundas de acne são diferentes de manchas.
Manchas: alterações de pigmentação que podem melhorar com tratamentos tópicos e proteção solar.
Cicatrizes profundas: alterações estruturais que frequentemente precisam de procedimentos para apresentar uma melhora significativa.
Entre as técnicas estudadas estão:
- microagulhamento;
- laser fracionado;
- subcisão;
- preenchimentos;
- peelings;
- combinações de procedimentos.
Nenhuma delas garante uma pele completamente livre de cicatrizes.
Mas, com o tratamento adequado para cada tipo de cicatriz, é possível melhorar bastante a textura e a aparência da pele.
E se existe uma cicatriz profunda no rosto, talvez o melhor investimento não seja comprar mais um sérum.
É descobrir qual tipo de cicatriz você realmente tem.
Referências
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