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Como tratar manchas de acne? O que realmente funciona

Você finalmente conseguiu controlar as espinhas, mas ficou com várias manchas escuras no rosto?
Isso é muito comum. E existe uma explicação para isso: muitas vezes, aquela marca que fica depois da espinha não é uma cicatriz, mas uma alteração de pigmentação chamada hiperpigmentação pós-inflamatória.

A boa notícia é que ela pode melhorar com o tempo e existem tratamentos que podem ajudar.

Mas é importante saber qual é o problema antes de sair passando vários produtos no rosto.

Mancha de acne é cicatriz?

Nem sempre.

Depois de uma espinha, podemos ter diferentes tipos de marcas.

Uma delas é a hiperpigmentação pós-inflamatória, que aparece como uma área mais escura no local onde existia a inflamação.

Também podem surgir manchas avermelhadas, dependendo do tom de pele e da forma como a inflamação afetou os vasos da região.

Já quando existe uma alteração permanente na textura da pele, como um “buraco”, estamos falando de uma cicatriz de acne.

São situações diferentes e, consequentemente, o tratamento também é diferente.

Por que a espinha deixa uma mancha?

A acne envolve inflamação.

Durante esse processo, a pele pode aumentar a produção e a distribuição de melanina, deixando uma região mais escura mesmo depois que a espinha desapareceu.

Esse problema é especialmente frequente em pessoas com tons de pele mais escuros.

Uma revisão sistemática publicada em 2024 analisou 41 estudos sobre hiperpigmentação pós-inflamatória e observou que a maioria dos casos estudados estava relacionada à acne. Os autores também destacaram que a resposta aos tratamentos ainda é bastante variável.

Por isso, aquela pequena mancha que parece simples pode levar semanas ou meses para desaparecer.

O primeiro passo é controlar a própria acne

Pode parecer óbvio, mas é uma das partes mais importantes.

Se novas espinhas continuam aparecendo, novas inflamações podem gerar novas manchas.

Uma recomendação de especialistas publicada em 2023 para hiperpigmentação associada à acne destaca justamente a importância de tratar a acne de forma eficaz e precoce. Retinoides tópicos e peróxido de benzoíla estão entre as opções discutidas para o controle da acne.

Ou seja: não adianta tratar apenas as manchas enquanto a pele continua sofrendo novas inflamações.

Protetor solar ajuda?

Sim — e é uma das partes mais importantes do tratamento.

A radiação ultravioleta pode estimular a pigmentação e dificultar a melhora das manchas.

Uma revisão sistemática sobre hiperpigmentação pós-inflamatória encontrou evidências para o uso de protetor solar de amplo espectro com FPS 30 ou mais, que foi recomendado na maioria dos estudos avaliados.

Então, se a pessoa investe em um sérum para manchas, mas não protege a pele durante o dia, está deixando de lado uma parte importante do cuidado.

Niacinamida funciona?

A niacinamida é um dos ingredientes mais interessantes para quem procura produtos para manchas.

Ela pode interferir na transferência de melanina para as células da epiderme e também apresenta outros efeitos relacionados à barreira da pele.

A revisão sistemática sobre hiperpigmentação pós-inflamatória encontrou estudos de qualidade envolvendo niacinamida, embora os resultados variem entre os diferentes tratamentos.

Isso não significa que um produto com qualquer concentração de niacinamida vai apagar manchas.

A fórmula completa e a concentração também importam.

E ácido azelaico?

O ácido azelaico também é bastante estudado.

Além de atuar sobre processos relacionados à acne, ele pode ajudar na pigmentação.

Nas recomendações publicadas em 2023 para hiperpigmentação associada à acne, o ácido azelaico aparece entre as opções que podem ser consideradas para melhorar a pigmentação.

Essa é uma vantagem interessante do ingrediente: ele pode fazer sentido em uma rotina na qual existem acne e manchas ao mesmo tempo.

E vitamina C?

A vitamina C também é bastante utilizada em cosméticos destinados a manchas.

Ela apresenta ação antioxidante e pode interferir em processos relacionados à produção de melanina.

Mas existe uma diferença importante entre dizer:

“vitamina C tem mecanismos que podem ajudar na pigmentação”

e dizer:

“qualquer sérum de vitamina C elimina manchas”.

A segunda afirmação é muito mais forte e não pode ser tirada simplesmente do mecanismo de ação.

Além disso, diferentes derivados de vitamina C apresentam propriedades diferentes.

Ácidos ajudam?

Alguns podem.

Ácidos como glicólico e outros hidroxiácidos promovem alterações na camada superficial da pele e podem contribuir para a melhora da pigmentação.

A revisão sistemática sobre hiperpigmentação pós-inflamatória encontrou evidências de qualidade para retinoides e hidroxiácidos, além de protetor solar.

Mas isso não significa que quanto mais ácido, melhor.

Irritação excessiva pode piorar a inflamação e, consequentemente, a pigmentação.

Por isso, misturar vários ácidos na tentativa de acelerar o processo pode acabar fazendo o contrário.

E hidroquinona?

A hidroquinona é um dos ativos mais conhecidos no tratamento de hiperpigmentações.

Ela pode ser eficaz, mas não deve ser tratada como um ingrediente cosmético qualquer.

Dependendo da concentração e da forma de utilização, pode causar irritação e outros efeitos adversos.

Por isso, seu uso deve ser orientado por profissional de saúde, principalmente quando estamos tratando manchas persistentes.

Quanto tempo a mancha demora para sair?

Não existe um prazo universal.

Algumas manchas ficam muito mais claras em algumas semanas. Outras podem persistir durante meses.

A revisão sistemática publicada em 2024 encontrou taxas relativamente baixas de desaparecimento completo com os tratamentos estudados. Em contrapartida, respostas parciais foram muito mais comuns.

Isso é importante porque “melhorou” e “sumiu completamente” são coisas diferentes.

Um tratamento pode ser considerado útil mesmo quando não elimina 100% da pigmentação.

O que não fazer?

Se você tem manchas de acne, algumas atitudes podem atrapalhar:

  • espremer as espinhas;
  • cutucar a pele;
  • usar ácidos em excesso;
  • misturar muitos produtos irritantes;
  • dormir frequentemente com maquiagem;
  • abandonar o protetor solar;
  • trocar de tratamento toda semana porque a mancha ainda não desapareceu.

A pele precisa de tempo.

E quando procurar um dermatologista?

Se as manchas persistirem, estiverem aumentando ou vierem acompanhadas de alterações importantes na pele, vale procurar avaliação.

Também é especialmente importante buscar orientação quando existem muitas espinhas inflamadas, nódulos, cicatrizes ou manchas que não melhoram.

Às vezes, o problema não é simplesmente escolher um produto melhor.

É necessário tratar a condição que está causando a pigmentação.

Resumindo

Manchas de acne são comuns e muitas vezes correspondem à hiperpigmentação pós-inflamatória, e não a cicatrizes permanentes.

Alguns ingredientes podem ajudar, incluindo:

  • niacinamida;
  • ácido azelaico;
  • hidroxiácidos;
  • retinoides;
  • alguns antioxidantes.

Mas nenhum deles funciona como uma borracha instantânea.

O tratamento da acne, a proteção solar e uma rotina que não provoque irritação são tão importantes quanto o sérum escolhido.

E talvez a principal dica seja esta:

se a pele está inflamada, não tente “agredir” a mancha para fazê-la desaparecer mais rápido.

Em muitos casos, uma rotina consistente e bem tolerada é mais útil do que uma coleção de produtos fortes.



Referências

TAN, Marcus G. et al. Topical treatment for postinflammatory hyperpigmentation: a systematic review. Journal of Dermatological Treatment, v. 33, n. 5, p. 2518–2526, 2022. DOI: 10.1080/09546634.2021.1981814.

TAYLOR, Susan et al. Treatment recommendations for acne-associated hyperpigmentation: results of the Delphi consensus process and a literature review. Journal of the American Academy of Dermatology, v. 89, n. 2, p. 316–323, 2023. DOI: 10.1016/j.jaad.2023.02.053.

KASHETSKY, N.; FESCHUK, A.; PRATT, M. E. Post-inflammatory hyperpigmentation: a systematic review of treatment outcomes. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, v. 38, n. 3, p. 470–479, 2024. DOI: 10.1111/jdv.19566.

LUCAS, A. et al. Acne-induced post-inflammatory hyperpigmentation: from grading to treatment. 2025.

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